Akinwumi Adesina declarou na abertura da reunião anual do BAD, que termina amanhã, que a actuação do banco tem como metas a electrificação, crescimento do sector industrial, a produção de alimentos e melhoria da condição de vida das populações e anunciou um “new deal” (novo acordo) baseado na expansão da energia como chave para a industrialização.
O presidente do BAD anunciou que a electrificação do continente africano está orçada em 45 mil milhões de dólares (7,5 triliões de kwanzas) e coincide com a agenda de outros organismos e líderes mundiais como a União Africana, a Nova Parceria para o Desenvolvimento de áfrica (NEPAD), a União Europeia, a China e os Estados e Unidos, que pretendem elevar o acesso da população à energia, por via do investimento na produção e distribuição. Akinwumi Adesina foi eleito há um ano e anunciou mudanças na estrutura da instituição, como a criação de duas novas vice-presidências para a energia e o “desenvolvimento verde” e outra para a agricultura e desenvolvimento sustentável.
O presidente do BAD propõe também uma movimentação dos directores executivos e dos vice-presidentes regionais. O tema do apoio ao sector privado irá também merecer uma atenção especial durante o mandato do novo presidente que acredita no papel que este pode desempenhar na promoção e fomento de uma indÚstria transformadora capaz de acrescentar valor às matérias-primas exportadas do continente africano.Outro dos pilares do programa de trabalho da nova administração do BAD é o apoio à juventude e às mulheres, para os quais Akinwumi Adesina anunciou provisões de cinco mil milhões de dólares (cerca de 834 mil milhões de kwanzas) para financiamentos.
Discussões em cursoEm dois painéis, as lideranças presentes na assembleia anual do BAD analisaram as metas de electrificação do continente e o impacto das mudanças climáticas na industrialização dos países africanos.O presidente do BAD considerou que “as mudanças climáticas são uma realidade da qual a áfrica se ressente, embora o continente emita apenas três por cento dos gases poluentes”, apontando o impacto nas regiões Oriental e Austral do continente, onde fenómenos como o El Niño levam à ocorrência de períodos alternados de seca e inundações. Akinwumi Adesina comprometeu-se a financiar a construção de projectos estruturantes nesse domínio, especialmente os que beneficiam vários países, o que incidirá sobre a construção de centrais de produção, sistemas de transmissão e distribuição e provisão de conhecimento no domínio das reformas sectoriais.
Angola participa no encontro com uma delegação multi-sectorial encabeçada pelo secretário de Estado do Tesouro, João Quipipa, e integrada por directores e técnicos dos Ministérios das Finanças e Planeamento e Desenvolvimento do Território, assim como do Banco Nacional de Angola.Participaram na abertura da reunião o Presidente em exercício da União Africana e Chefe de Estado do Ruanda, Paul Kagame, o Presidente do Chade, Idriss Deby, além de personalidades políticas africanas e mundiais, como os antigos Presidentes da Zâmbia e do Gana, Keneth Kaunda e John Kuffour, o ex-secretário-geral da ONU Koffi Anan e o ex-chanceller alemão Helmut Kohl.